quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ela chegou!

Depois de uma semana monitorando o final da gravidez e nada de entrar em trabalho de parto, a médica resolveu marcar minha cesárea para o dia 25 de maio, às 13h.

Sempre fui contra cesariana eletiva, já comentei isso em outras postagens, mas nesse caso, eu teria que fazer uma cesariana de qualquer forma porque a Júlia estava sentada, e no dia 25 estaríamos com 40 semanas de gestação completas. Sendo assim, minha pequena não seria tirada da barriga antes da hora, estaria prontinha para vir ao mundo.

Depois de marcar o parto, comecei a ter cólicas e contrações muito fortes, mas com intervalos muito longos, então nem adiantava ir à maternidade antes da hora marcada. Tive uma noite muito difícil, não consegui dormir por causa das dores, acordava de 1 em 1 hora. Só consegui dormir mesmo depois das 7h, mas eu queria acordar cedo para me arrumar para ir ao hospital, mas como estava muito cansada, o Guto me deixou dormindo até 10h30.

Pronta para ir ao hospital
Acordei, tomei um bom banho, não pude comer nada, tive que ficar em jejum desde a meia-noite, separei todas as coisas que faltavam por na mala e ficamos conversando com a Ju.

Quando descobri que faria cesárea, tive muito medo porque nunca passei por nenhuma cirurgia, nunca levei ponto algum, estava com medo da anestesia que todos diziam ser muito dolorosa. Na manhã do parto, eu estava tão calma e tranquila, sem medo algum. Estava muito feliz por, finalmente, ter meu bebê.

Chegamos no hospital às 13h em ponto, fui encaminhada para a emergência para ser avaliada pela médica. Por volta das 14h, a médica deu entrada na internação, continuei na emergência tomando soro e monitorando os batimentos cardíacos da Ju.

Por volta das 15h, subimos para a sala de pré-parto, e ficamos esperando um tempão porque a maternidade estava cheia e tinha dois partos que seriam feitos antes do meu.

Entrei no centro cirúrgico pouco antes das 17h, estava morrendo de medo do que viria pela frente, mas ainda assim, super tranquila, até a hora da visita da querida anestesista... Eu fiquei bem apreensiva, esperando pelo monstro da anestesia que todos falavam. Bom, eu não achei tão doloroso assim, foi uma dor suportável, mas um pouco incômoda. Sem contar que a anestesista era um doce de pessoa. Aliás, toda a equipe médica foi super atenciosa comigo, me explicaram todos os procedimentos, conversaram bastante, fizemos piada, isso me ajudou a ficar mais calma ainda.

Ah, o papai também assistiu o parto!

Desde o começo da gravidez, o Guto sempre disse que assistiria o parto, mas confesso que não acreditava muito, pensei que ele fosse amarelar na última hora. Durante toda a gravidez, ele me deu muito apoio, participou de TODAS as consultas e exames, claro que participaria também do grande dia, mas pensei que ele não fosse aguentar. Ele estava muito mais nervoso do que eu, mas ficou firme e forte. Sentou ao meu lado e foi narrando o parto, me contando todos os detalhes e me deixando curiosa pra ver a Ju.

Enfim, minha princesa nasceu às 17h25, muito saudável, sem problema algum, com 3,240kg e 46cm. Ela nasceu um pouco roxinha porque estava com três voltas do cordão umbilical pelo corpo, mas depois que o médico a desenrolou e aspirou seu nariz, finalmente pude ouvir seu chorinho. Mamãe chorou, claro!


Logo na sala de parto, percebi que eu ganhei um bebê calmo e tranquilo. Júlia chorou um pouquinho, mas depois passou o tempo todo quietinha observando tudo e todos ao seu redor. Ela é muito espertinha!
O primeiro colinho foi o do papai, já que a mamãe não podia pegá-la. Vocês não imaginam o quanto eu estava morrendo de vontade de segurá-la, sentir sua pele, seu cheiro, sentir meu bebê...



Fomos para a sala de pós-parto às 18h, eu teria que ficar lá até passar o efeito da anestesia, tomando soro com ocitocina. A Júlia ficou comigo, num bercinho ao meu lado, o tempo todo olhando para mim e observando tudo, sem chorar. Ela é um doce de menina.
Alimentando a Ju pela primeira vez
Chegamos ao quarto pouco antes das 21h. Papai já tinha organizado tudo para nossa chegada e nos esperava na companhia das vovós Eli e Sueli, e da bisa Olga. Ficamos um pouquinho com eles, já que o horário de visita era só até as 21h. Só a vovó Eli ficou com a gente, pois ela me ajudaria a cuidar da Júlia no hospital, uma vez que ficamos em alojamento conjunto, pois não há berçário na maternidade. Foi a melhor coisa que aconteceu, eu não teria dado conta de nada se não fosse minha mãe para me ajudar. Ela cuidou da Júlia enquanto eu estava de repouso e me sentindo mal com as dores do pós-parto. Só pude pegar a Júlia depois das 22h, quando a enfermeira foi ao nosso quarto para me ajudar a amamentá-la, mas ainda assim, ela ficou comigo só um pouquinho.

No dia seguinte, eu já estava me sentindo muito melhor. Papai foi cedo nos visitar e passou o dia com a gente. Acompanhou a pequena em seu primeiro exame, uma ultrassonografia dos rins, ajudou a vovó com os cuidados da pequena e também cuidou de mim. Muito atencioso e carinhoso esse papai! Enquanto isso, eu aproveitei para dormir o dia todo, mas nem consegui descansar direito, o entra e sai de enfermeiras no quarto sempre me acordava. No final da tarde, recebemos uma rápida visita do padrinho da Ju e sua namorada. Tivemos mais um dia tranquilo, a Júlia não deu um pingo de trabalho.

Os problemas vieram de madrugada. Júlia começou a ter cólicas, tadinha! Foi nesse dia que meu bebê começou a chorar de verdade. Até então, ela só resmungava um pouco quando estava com fome ou incomodada com alguma coisa. Com as cólicas, a Júlia gritava de dor, vocês não imaginam como isso me partiu o coração. Eu e minha mãe passamos a noite nos revezando para cuidar da Júlia, ela dormia um pouquinho e logo acordava chorando de dor. Só dormiu bem quando a deitei em meu peito desnudo, onde ela pode sentir o calor do meu corpo para aliviar suas dores.

No domingo, pela manhã, recebi a visita do obstetra. Ele me avaliou e disse que a cicatrização dos meus pontos estava ótima e recebi alta. Mais tarde, veio o pediatra avaliar a Ju, ela também estava ótima, nem tinha mais as dores da cólica. Ela também recebeu alta, mas só poderíamos ir para casa depois que ela fizesse o exame do pezinho, ou seja, ficamos no hospital até o final da tarde.

Recebemos a visita do vovô Douglas e da madrinha da Ju e seu namorado. Tivemos um dia tranquilo, mas eu estava muito cansada por causa da noite anterior. A Júlia dormiu o dia todo de tão cansada que estava, já eu, não consegui fechar os olhos um só minuto.

Depois das 17h, a enfermeira fez o exame do pezinho. Eu estava com medo pela Ju, não queria que minha pequena sentisse dor, quase chorei quando a enfermeira furou seu pé. Minha menina se mostrou forte, resmungou um pouco na hora da picada, mas depois ficou quietinha até o final do exame, isso porque tivemos que furar seu pé duas vezes, pois seu sangue coagulou rápido demais.

Saímos do hospital depois das 18h, a Júlia continuava dormindo calmamente. Ficou muito tranquila dentro da carro, chegou em casa dormindo e assim continuou por um bom tempo.

Ela estranhou um pouco quando chegamos em casa, mas logo nos adaptamos. Cada dia é uma coisa nova para aprender, esses primeiros dias estão um pouco difíceis para todos, mas eu e o papai estamos nos saindo bem nessa nova tarefa.

A Júlia é um doce de menina e estamos cada vez mais apaixonados pela miudinha. Não tem como não morrer de amores por esse pingo de gente...


Logo voltaremos com mais notícias, é só a Júlia nos dar uma folguinha. Mesmo quando ela está quietinha, os pais continuam ocupados na árdua tarefa de "babar" em seu pequeno tesouro!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Monitorando

Como eu havia dito nos posts anteriores (veja aqui e aqui), essa semana eu iria ao hospital algumas vezes para monitorar essa última semana de gestação.

O primeiro exame foi na segunda-feira, dia 21. Chegamos cedo ao hospital, fiz um novo ultrassom e o cardiotoco. No ultrassom, deu tudo certo. A Júlia havia ganho mais de 200g, chegando a, aproximadamente, 2,993kg, e meu líquido amniótico estabilizou sem risco de diminuição. O cardiotoco também deu certo, mas tive que fazer duas vezes porque minha sapinha resolveu parar de pular bem na hora do exame onde precisávamos monitorar seus movimentos. Diante dos bons resultados, a médica pediu para eu voltar ao hospital hoje e repetir os exames, ou voltar ao hospital antes se houvesse algum problema ou eu entrasse em trabalho de parto.

Como não aconteceu nenhuma das duas coisas, voltei ao hospital hoje a tarde. Não foi preciso repetir o ultrassom pois a médica disse que o líquido amniótico estava num nível considerado bom, só refiz o cardiotoco, que também estava normal.

Tudo está bem de novo, então a médica disse que não preciso voltar ao hospital pra repetir os exames, é só esperar a vontade da Júlia de nascer, ou ir ao hospital quando completar 41 semanas, caso não tenha entrado em trabalho de parto.

Amanhã completo 40 semanas. Agora é certeza que tá bem pertinho mesmo da Júlia nascer. Todo mundo apostou que ela não passava do começo dessa semana, mas ela enrolou a gente e nos fez esperar mais um pouco. Acredito que logo ela estará em meus braços, semana que vem minha princesinha estará enchendo a casa de alegria.

Agora só me resta fazer o que mais tenho feito nesses últimos dias... Esperar!

Vem logo Juju!

A melhor mãe do mundo


Você é. Sua vizinha também. A Maitê. A Malu. A Cláudia. Eu, naturalmente. Somos as melhores mães do mundo. Aliás, essa é a única categoria em que não há segundo lugar, todas as mães são campeãs, somos bilhões de "as melhores" espalhadas pelo planeta. Ao menos, as melhores para os nossos filhos, que nunca tiveram outra.

Não é uma sorte ser considerada a melhor, mesmo se atrapalhando tanto? Mãe erra, crianças. E improvisa. Mãe não vem com manual de instrução: reage apenas aos mandamentos do coração, o que tem um inestimável valor, mas não substitui um bom planejamento estratégico. E planejamento é tudo o que uma mãe não consegue seguir, por mais que livros, revistas e psicólogos tentem nos orientar.

Um dia um exame confirma que você está gravida e a felicidade é imensa e o pânico também. Uau, vou ser responsável pela criação de um ser humano! A partir daí, nunca mais a vida como era antes. Nunca mais a liberdade de sair pelo mundo sem dar explicações a ninguém. Nunca mais pensar em si mesma em primeiro lugar. Só depois que eles fizerem dezoito anos, e isso demora. E às vezes nem adianta.

O primeiro passo é se acostumar a ser uma pessoa que já não pode se guiar apenas pelos próprios desejos. Você continuará sendo uma mulher ativa, autêntica, batalhadora, independente, estupenda, mas cem por cento livre, esqueça. De maridos você escapa, dos próprios pais você escapa, mas da responsabilidade de ser mãe, jamais. E nem você quer. Ou será que gostaria?

De vez em quando, sim, gostaríamos de não ter esse compromisso com vidas alheias, de não precisar monitorar os passos dos filhotes, de não ter que se preocupar com a violência que eles terão que enfrentar, de não sofrer pelas dores-de-cotovelo deles, de não temer por suas fragilidades, de não ficar acordada enquanto eles não chegam e de não perder a paciência quando eles fazem tudo ao contrário do que sonhamos.

Gostaríamos que eles não falassem mal de nós nos consultórios dos psiquiatras, que eles não nos culpassem por suas inseguranças, que não fôssemos a razão de seus traumas, que esquecessem os momentos em que fomos severas demais e que nos perdoassem na vezes em que fomos severas de menos. Há sempre um "demais" e um "de menos" nos perseguindo. Poucas vezes acertamos na intensidade dos nossos conselhos e críticas.

Mas é assim que somos: às vezes exageradamente enérgicas em momentos bobos, às vezes um tantinho na hora de impor limites. A gente implica com alguns amigos deles e adora outros e não consegue explicar por quê, mas nossa intuição diz que estamos certas. Mas de que adianta estarmos certas se eles só se darão conta disso quando tiverem os próprios filhos?

Erramos em forçá-los a gostar de aipo, erramos em agasalhá-los tanto para as excursões do colégio, erramos em deixar que passem a tarde no computador em véspera de prova, erramos em não confiar quando eles dizem que sabem a matéria, erramos em nos escabelar porque eles estão com olhos vermelhos (pode ser só resfriado), erramos quando não os olhamos nos olhos, erramos quando fazemos drama por nada, erramos um pouquinho todo dia por amor e por cansaço.

O que nos torna as melhores mães do mundo é que nossos erros serão sempre acertos, desde que estejamos por perto.

Martha Medeiros

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Don't worry, be happy!

‎39 semanas - Despedindo-se da gravidez

Comecei meu dia com esse e-mail do Baby Center. Deu aquela pontinha de tristeza por me despedir do barrigão, mas a alegria que tenho dentro de mim é maior do que qualquer coisa. Semana que vem a Júlia estará comigo, finalmente!

Hoje fomos à última consulta do pré-natal. O médico avaliou os exames que fiz quarta-feira, confirmou que estou com o nível de líquido amniótico um pouco abaixo do normal e que a Júlia está com pouco peso, mas já é considerada um bebê saudável para nascer. Ele me examinou no consultório e disse que está tudo bem, porém me encaminhou para uma médica especialista em gravidez de risco para que pudesse acompanhar melhor essa última semana.

Passei com a tal médica, ela avaliou meus exames e disse que está tudo bem (depois de passar com 5 médicos, me convenci de que realmente está tudo bem!), que essas alterações não são nada que me obrigue a adiantar o parto, mas terei que passar por um acompanhamento mais severo nos próximos dias. Farei esse acompanhamento no próprio hospital onde a Ju vai nascer com novos ultrassons e monitoramento cardíaco. Enquanto meus exames estiverem bons, não adiantaremos o parto, deixaremos por conta dela decidir quando quer nascer.

Como a data prevista para o parto é 26 de maio, com certeza ela nascerá na semana que vem, a menos que ela resolva ser uma menina preguiçosa e queira ficar na barriga da mamãe por mais uma semana. Aí ela mata todo mundo de ansiedade...

Agora posso dizer que estou bem tranquila, não tenho porque me preocupar com minha miudinha, tenho certeza de que ela está bem. Quanto ao baixo peso, comecei uma dieta de engorda. Tomo Sustagen uma vez por dia e como o tempo todo, parece que minha fome duplicou nesses últimos dias. Eu tava me controlando pra não engordar muito, mas quero que minha filha ganhe peso nos próximos dias, então mamãe vai virar uma bolinha também. Peso eu perco depois, do mesmo modo que sei que a Ju ganhará bastante peso depois que nascer, mas quero garantir que ela vai nascer fortinha.


Olha como estou enorme!


Quero agradecer por todo o carinho e atenção que recebemos nesses últimos dias. Todos me deixaram bem mais calma e tranquila e mostraram o quanto se importam conosco. Fico feliz em saber que tenho pessoas maravilhosas em minha vida. Mesmo aqueles que apenas nos disseram "Vai ficar tudo bem!", já ajudaram muito. Nós agradecemos muito, de coração.


Cheia de paparicos do papai (:


Logo logo essa pequenininha nasce para nos encher de alegria.

Só mais uma semaninha...


Em toda vida existem problemas
Mas enquanto se preocupa você os duplica
Não se preocupe, seja feliz... ♪


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mudança de planos

Desde o começo da gravidez nunca tive dúvidas de que queria ter um parto normal. Com o passar dos meses, fui em busca de mais e mais informações, algumas até publiquei aqui no blog, e isso me dava mais certeza da minha escolha. Queria um parto normal, com o mínimo de intervenções médicas, pois sei dos benefícios que isso traria a mim e à Júlia.

Durante todo esse tempo, tudo estava se encaminhando para meu parto dos sonhos. Não tive nenhum problema durante a gravidez que pudessem me levar a uma cesárea, a Júlia estava encaixadinha na posição esperada, eu até comecei a ter dilatação na semana passada. Era só esperar pelo sinal da miudinha para podermos ir à maternidade e tudo sairia como esperado.

Mas nem tudo sai do jeito que queremos e quando se trata do parto, tudo pode acontecer.

Ontem, descobri que a Júlia tinha mudado de posição. Essa menina folgada resolveu sentar faltando uma semana pra nascer. É possível fazer parto normal de bebê em posição pélvica, mas é um pouco arriscado. Pra que isso aconteça, é necessário ter acompanhamento de um médico experiente nesse tipo de parto, o que é meio difícil de se encontrar aqui no Brasil. Os médicos não são instruídos a fazer esse tipo de parto e nem aprendem como fazer as manobras para virar o bebê antes do parto. Desde a faculdade, eles aprendem que nesses casos deve-se fazer uma cesárea.

O médico que avaliou meu ultrassom disse com toda a certeza de que eu teria que fazer cesárea, que com o bebê nessa posição, eles nem tentariam um parto normal. Pra mim, isso foi um baque, um balde de água fria no meu parto dos sonhos.

Quando saí do médico, não estava convencida de que a Júlia havia mudado de posição, eu queria um parto normal a qualquer custo. Mas não se pode discutir com dois ultrassons que mostram que a cabecinha dela está perto da minha costela e esses empurrões que sinto na bacia são seus pezinhos.

Estava decidida a tentar alguns exercícios para ajudar a pequenina a voltar para posição cefálica, mas não faria nada que fosse prejudicial a ela. Passei a madrugada pesquisando e achei uns exercícios bem simples que não fariam mal à Júlia e estava disposta a fazê-los hoje, mas nenhum garantia que ela fosse virar.

Hoje de manhã, quando acordei, percebi que a Júlia estava tentando virar sozinha e ela fez isso várias vezes durante o dia, mas sem sucesso. Minha pequenina está tão apertadinha que não consegue mais se mover direito aqui dentro. Me deu um aperto no coração saber que ela está tentando realizar meu desejo, mas também não consegue...

Diante desta situação, decidi que não forçarei nada. Durante a gravidez toda eu fiz de tudo pra poder ter o parto normal, dei o melhor de mim. Ontem eu chorei muito, me senti impotente, me senti incapaz de trazer minha filha ao mundo, me senti menos mãe. Hoje, ao perceber os esforços em vão da minha pequena, percebi que não é culpa minha nem dela, nós duas demos nosso melhor, mas nem sempre as coisas acontecem como desejamos.

Aos poucos estou me acostumando com essa mudança de planos. Não me importa mais de que modo a Júlia chegará ao mundo, só quero que ela nasça com saúde e que eu possa me recuperar da cesárea o mais rápido possível para cuidar da minha sapinha.

Confio em Deus e acredito que se tudo isso aconteceu, é porque tinha que ser assim e nós vamos nos sair bem dessa. Ainda me sinto um pouco triste, mas saber que ela estará comigo em breve faz com que esses aborrecimentos se tornem insignificantes.

Sobre sustos, decepções, alívios e felicidade

Ontem, tínhamos um ultrassom marcado pela manhã. Seria a última vez que veríamos a Júlia na barriga da mamãe. Chegamos ao laboratório cedo e fomos atendidos antes da hora marcada.

Estava super ansiosa para ver minha miudinha, pois eu não a via desde as 22 semanas de gestação. Logo que o médico colocou o aparelho em minha barriga, veio o primeiro susto: "Ela está sentada!". Já fiquei meio atordoada com essa informação, pois ter um bebê em posição pélvica é passagem garantida para um cesárea aqui no Brasil, tudo o que eu não queria, mas até aí, tudo bem...

Mais uma olhadinha, o médico me indicou onde estão as partes do corpinho dela, olhamos as medidas de alguns órgãos e chegamos ao fim do exame. Ao terminarmos, segundo susto: "Ela não está se desenvolvendo como esperado, seu peso está abaixo do normal e seu desenvolvimento é compatível com a idade gestacional de 36 semanas e não 38 como deveria ser". Fiquei um pouco mais triste. Como assim, minha filha estava com baixo peso? Ela se desenvolveu perfeitamente durante a gestação e eu não tive nenhum problema que indicasse que isso poderia acontecer. Fiquei muito mais desnorteada do que já estava e o medo só aumentando.

O médico analisou mais um pouco os valores obtidos pelo ultrassom e... terceiro susto: "Seu nível de líquido amniótico está um pouco abaixo do normal, mas é considerado aceitável. Corre o risco de que o líquido diminua nos próximos dias e pode deixar o bebê sem oxigenação. Sugiro que você procure seu médico ou pronto-socorro ainda hoje para ver quais procedimentos eles querem tomar para que não haja riscos ao bebê". Pronto, já foi motivo para me deixar mais nervosa.

Fomos à recepção esperar a saída do laudo, eu estava totalmente perdida e o Guto também estava preocupado. Não aguentei e comecei a chorar de medo. Eu tava tão feliz com minha gravidez super saudável, tudo estava dando certo. Por que isso teria que acontecer agora, faltando uma semana pra ela nascer??

Eu e o Guto decidimos que iríamos ao hospital depois do almoço para ver o que poderíamos fazer. Algo me dizia que ela nasceria ainda hoje, mas eu não queria acreditar muito nisso.

Saímos do laboratório e fomos para casa. Terminei de colocar as coisas que faltavam na mala da maternidade, dei algumas orientações para o Guto sobre o que fazer se eu tivesse que ser internada, tomei um banho bem gostoso, conversamos um pouquinho com a Júlia, acreditando que essa seria a última vez que falaríamos com a miudinha dentro da barriga, e saímos para almoçar e depois ir ao hospital. Até aí, eu já estava bem calma e tranquila. Se ela tivesse que nascer hoje, tudo bem, eu só quero que ela venha saudável. Comecei a me animar, achando que até a noite, já estaria com meu bebê em meus braços.

Chegamos ao hospital, a médica avaliou meu ultrassom, disse que realmente estava com o líquido um pouco baixo e pediu para eu refazer o ultrassom, agora com doppler para verificar o fluxo sanguíneo que ia para o bebê. Fiz o ultrassom e dessa vez tivemos resultados um pouco melhores. Meu nível de líquido amniótico havia subido e já era considerado normal, o peso da Júlia ainda estava abaixo do esperado, mas nada tão preocupante e ela realmente estava sentada.

Com esses resultados, fui avaliada por um segundo médico que disse que não havia motivos pra me preocupar e ainda estava cedo pra ela nascer, poderíamos esperar mais uma semana sem problema algum, porém teria que fazer mesmo a cesárea por causa da posição pélvica. Sendo assim, ele pediu para eu fazer um exame de monitoramento cardíaco fetal, chamado cardiotoco, só para ter certeza de que estava tudo bem.

Fiz o cardiotoco onde monitoramos os batimentos cardíacos da Júlia, se havia contrações e a presença de movimentos do bebê. Até que foi um exame gostoso de fazer, amo ouvir o coraçãozinho dela.

Depois do exame, fui avaliada por uma terceira médica. Ela olhou o cardiotoco e o ultrassom, e disse que estava tudo normal. Me explicou o que poderia ter causado essa variação de líquido amniótico e realmente não era nada grave. Sendo assim, a médica me liberou e disse para eu voltar ao hospital na segunda-feira para repetir os exames, já que até lá estarei com mais de 39 semanas, bem pertinho da data prevista para o parto.

Enfim, eu e o Guto voltamos para casa com um misto de alívio e decepção. Alívio por saber que ela está bem e não corre risco algum. Decepção por não poder ter o parto normal e não tê-la em nossos braços ainda hoje, mas isso é o de menos.

Agora só nos resta esperar pelos novos exames e torcer pra que ela ganhe um pouquinho mais de peso nesse últimos dias em sua "casinha".

Esse pequeno susto nos deixou muito mais ansiosos para chegada da nossa princesinha. Esse foi o primeiro aviso de que ela pode vir a qualquer momento mesmo! Não vejo a hora de tê-la aqui comigo, ainda bem que sinto os dias passarem bem rápidos. Só precisamos esperar mais uma semana...

UMA SEMANA!!

Mais uma semana pra curtir a barriga e morrer de amores pela minha sapinha.

Eu te amo muito, minha pequena Júlia Papai e mamãe não aguentam mais de ansiedade para te conhecer. Venha logo!!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cada vez mais perto...

38 semanas e 4 dias...

Só agora caiu minha ficha de que ela realmente está chegando e isso pode acontecer a qualquer momento.

Ultimamente, não tenho sido uma pessoa muito atenta às pequenas coisas, mas ontem resolvi prestar mais atenção aos sinais que meu corpo está enviando e fiquei assustada ao perceber que são sinais de que o parto está próximo.

O maior deles foi perceber que eu estava perdendo meu tampão há alguns dias. Pra quem não sabe, o tampão é uma substância mucosa que tem a função de bloquear o colo do útero. Ele tem uma aparência gelatinosa e esbranquiçada, pode aparecer junto com um pouco de sangue (no meu caso, sem sangue). O tampão pode sair aos poucos ou minutos antes do parto (o meu começou a sair no final da semana passada), depois de sua saída, pode levar até 15 dias para se iniciar o trabalho de parto. A maioria das minhas colegas que já tiveram filhos, disseram que depois da saída do tampão (que também foi aos poucos como o meu), levaram mais ou menos uma semana para entrar em trabalho de parto.

UMA SEMANA!!

Ontem, ao perceber que mais um pedacinho do meu tampão se foi, só pensava em uma coisa: "Ela realmente está chegando...". Primeiramente, pedi a Júlia que ficasse em sua casinha por mais alguns dias, amanhã temos ultrassom e sexta-feira temos a última consulta. Depois, fiquei pensando um milhão de vezes que não há mais como fugir, uma hora ela teria que nascer e eu não poderia mais adiar isso. O jeito é me conformar e curtir mais um pouquinho esses movimentos deliciosos em minha barriga.

Passado algumas horas, comecei a me animar mais. "Ela está chegando!". Resolvi bater mais um papinho com minha filha porque mudei de ideia, disse a ela: "Júlia, pode vir na hora que VOCÊ achar que deve. Mamãe não decide nada, é você quem vai me dizer quando estará pronta pra nascer. Se quiser nascer agora, tudo bem. Mas se quiser esperar mais uma semaninha, eu não iria me importar...". Bom, ela me respondeu com uns movimentos bem intensos, já que não tem mais espaço pra me socar e chutar. Entendi isso como um "Deixa comigo, mamãe!".

De madrugada, tive contrações e cólicas. Pensei: "Chegou a hora!". Resolvi esperar um pouco antes de alarmar o Guto, na maioria das vezes, minhas dores passam em até 1 hora. Foi exatamente assim que aconteceu, as dores se foram e eu fiquei um pouco decepcionada por não ter sido início do trabalho de parto. Pra falar a verdade, fiquei um pouco aliviada também, garanti mais um dia com minha miudinha na barriga. Se bem que o dia ainda não terminou...

Agora, só nos resta esperar. Tô morrendo de vontade de ter minha princesinha aqui comigo, mas também estou curtindo minha barriga ao máximo, fazendo muitos carinhos e conversando com meu bebê.

38 semanas e 4 dias de muito amor pela minha sapinha!!

sábado, 12 de maio de 2012

Momento de gratidão

Completamos 38 semanas e fomos a mais uma consulta do pré-natal. Confesso que estava muito ansiosa para esta consulta porque já está bem pertinho do nascimento da Júlia e esperava que o médico já me desse informações sobre como seria o parto, se eu estaria preparada para o parto normal ou se havia algum problema e eu teria que me submeter a uma cesariana.

Na consulta das 36 semanas, o médico havia pedido milhares de exames, inclusive o de curva glicêmica, streptococcus e o tão esperado ultrassom. Fiz todos esses exames e fiquei um pouco apreensiva, com medo de que desse alguma alteração e eu tivesse alguma complicação no final da gravidez.

Durante a semana, consegui pegar todos os resultados pela internet e vi que estava tudo certinho, até o exame de streptococcus deu negativo. Na hora, não me contive de tanta felicidade. Nunca imaginei que algum dia eu ficaria feliz desse jeito por causa de alguns exames. Graças a Deus, nunca tive nenhum problema de saúde sério e morria de medo de ter alguma coisa logo na gravidez. O real motivo de toda essa felicidade não é o fato de eu estar com a saúde perfeita (claro que isso também é maravilhoso), mas sim o fato de eu poder proporcionar à minha filha uma gravidez saudável.

Muitas vezes eu me sentia um pouco triste por ter engravidado cedo e não poder dar tudo o que queria à minha filha. Sentia-me mais triste quando via algo mais caro e sabia que não podia comprar, por não poder montar um quarto exclusivamente para ela e ter que me contentar com apenas um cantinho no meu próprio quarto. Se a gravidez tivesse sido planejada em uma época onde eu tivesse mais condições financeiras, eu não teria esses pequenos aborrecimentos. Quando peguei o resultado dos meus exames, percebi que existe algo muito mais importante do que qualquer futilidade que não pude me dar ao luxo de ter. Eu tive uma saúde perfeita para poder gerar minha pequena da maneira mais saudável possível, isso é algo que dinheiro nenhum compra e sou muito grata por isso, muito mesmo.

Mesmo sem ter condições financeiras, eu pude dar o melhor para a Júlia em saúde. Saber que meu bebê está bem e que isso aconteceu devido aos meus preparos e cuidados é algo inexplicável, faz com que eu me sinta cada vez mais mãe e mostra que eu posso dar conta dos cuidados com o bebê, mesmo que eu não perceba que cada atitude minha faz toda diferença na vida da minha miudinha.

Enfim, o médico confirmou que está tudo bem sim, como eu esperava, e marcou uma consulta para semana que vem, onde faremos o ultrassom e saberemos, finalmente, como será a preparação para o parto.

Está cada vez mais perto... Nem acredito que minha pequena Júlia pode chegar a qualquer momento.

Faltam 2 semanas e 1 dia (ou menos!).

E eu te amo cada vez mais, minha princesinha

quarta-feira, 9 de maio de 2012

CineMaterna

Uma dica para os pais que adoram curtir um cineminha, porém deixam de ir por causa de seus bebês é o CineMaterna.

CineMaterna são sessões de cinema com infraestrutura adaptadas para receber pais com bebês até 18 meses meses seguidas de um bate-papo.

Tais sessões são exibidas em cinemas de várias cidades do Brasil, o filme a ser exibido é escolhido por votação através do site do projeto.

Vale a pena conferir: Projeto CineMaterna.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pequeno momento de tristeza

A chegada da Juju se aproxima e o pensamento de que ela pode vir a qualquer momento não sai da minha cabeça um só minuto e hoje caiu minha ficha de que em alguns dias não terei mais esse bebezão dentro de mim. Isso me entristeceu um pouco...

Por mais que eu queira minha filha logo em meus braços, que eu esteja super ansiosa para conhecê-la, fico triste em saber que não terei mais essa pessoinha morando dentro de mim. Hoje de manhã, enquanto ela fazia sua baguncinha matinal, me veio esse pensamento. Confesso que chorei ao imaginar que nunca mais sentirei esses pequenos movimentos em minha barriga. Cada chute, cada soco, ela indo de um lado para o outro, me cutucando, o papai conversando com minha barriga, fazendo com que nossa sapinha fique super agitada e dê vários pulos, tudo isso é uma delícia e não consigo mais me imaginar sem isso, me tornei dependente disso tudo.

É triste pensar que, depois de 9 meses, meu útero estará vazio, que eu deixarei de ser duas... Me dá uma sensação de solidão. Quero muito ter outros filhos, sentir tudo o que senti na gravidez novamente, desde as piores dores até esses pequenos movimentos deliciosos. Mas uma coisa não me sai da cabeça, e se eu não puder ter mais filhos? E se essa for minha única chance de gerar uma vida? Eu nunca mais passarei por isso? Nunca mais sentirei todas aquelas dores e movimentos que me incomodavam, mas ao mesmo tempo me enchiam de alegria?

A gravidez é cheia de momentos felizes e tristes, e mesmo diante da alegria pela chegada da minha pequenina, consigo encontrar esse pequeno momento de tristeza.

Tudo na vida tem um fim, inclusive minha gravidez, e este é nosso final. Mas todo final é seguido de um novo começo, e meu novo começo será com a Júlia em meus braços, um outro momento que me encherá de alegrias e também de algumas tristezas, com certeza.

Porque a vida é assim, tudo tem começo, meio e fim...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Enfim, maio...

Lembro-me da primeira consulta do pré-natal, em novembro. A médica disse que a data prevista para meu parto era 26 de maio. Pensei: "Nossa! Maio está tão longe, vai demorar muito pra chegar...". Depois disso, parece que alguém resolveu por o relógio para correr porque maio chegou mais depressa do que eu esperava.

Depois de quase 9 meses, me vejo diante da tão esperada chegada da Júlia. Quantas coisas aconteceram nesses últimos meses... Como eu mudei, cresci, amadureci. Chorei, tive medo, tive coragem, fui em frente,  entrei em pânico, chorei de novo, ri, planejei, mudei os planos, chorei mais uma vez, tive mais crises de pânico e medo, mas nunca desisti... Lutei muito para fazer o melhor possível para meu bebê, e aqui estamos, a semanas de sua chegada.

Com 37 semanas de gestação, Juju já está pronta para nascer, mas ainda não é a hora certa. Todo dia acordo e penso: "Será que é hoje?", qualquer dorzinha que sinto, penso que é ela querendo nascer, mesmo sabendo que ainda é um pouco "cedo" pra isso. Não queria admitir, mas estou ansiosa, e muito!

A todo instante me pego pensando em como será meu parto. Sempre estive tranquila em relação a isso, mas agora que sei que está perto, tenho medo. Fico imaginando como será minha vida com esse bebê, penso que agora não existe só a Beatriz ou só o Gustavo, ou só o casal. Depois que a Júlia nascer, seremos três, para sempre... Sim, isso me assusta muito!

Vejo esse berço vazio ao meu lado toda noite e fico mais ansiosa para vê-lo ocupado pela minha pequena. Vejo todas as roupinhas e me imagino cuidando do meu bebê, dando banho, trocando a fralda, amamentando. Diante de tudo isso, sinto medo de novo, mas esse medo me dá coragem, determinação e forças. Ser mãe será meu desafio diário pelo resto da minha vida, não há como desistir e não quero desistir. Vou usar toda minha força e determinação para executar a difícil tarefa de cuidar de um ser tão pequeno e frágil, que mesmo depois de grande, ainda será meu eterno bebê.

Saibam que eu não sou a única pessoa ansiosa para ver o rostinho da Júlia. Mal começou o mês e muitas pessoas, muitas mesmo, já me perguntaram se ela já nasceu ou se está perto. A ansiedade alheia me enche de alegria porque mostra que minha filha não foi apenas desejada e esperada por mim, mas também por muitos amigos e familiares. Porém, essa ansiedade me incomoda um pouco porque me deixa mais agitada, mais alerta à realidade, não que isso seja algo ruim, mas deixar a grávida com os nervos à flor da pele não é uma coisa muito legal.

Outra coisa que cresce com a ansiedade é o amor que sinto pela Juju. Nunca imaginei que fosse capaz de amar tanto alguém como amo esse pedacinho de gente que nem conheço ainda. Hoje, posso dizer que cheguei ao ponto máximo do meu amor, mas amanhã esse amor será superado e aumentará um pouco mais, e é isso o que vai acontecer todos os dias. Esse amor crescerá infinitamente...

Quanto ao parto, não pretendo agendar. Quero que a Júlia decida quando ela quer vir ao mundo, quero continuar na expectativa e ser surpreendida quando ela me der o sinal de "Estou pronta, mamãe!".

Agora só nos resta esperar, com muito amor e carinho, pela chegada da pessoinha mais importante da minha vida.

Eu te amo muito, filha!